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*Marisa Moura Verdade

Quem nunca foi testado, avaliado, julgado? Conhecemos o desconforto dessas experiências. Mas, de todos os julgamentos que enfrentamos ao longo da vida, nenhum é mais importante do que o julgamento que fazemos de nós mesmos. Esse aspecto da dinâmica psíquica é tão significativo que o interesse na autoestima acompanha o desenvolvimento da Psicologia e da Psicanálise desde o início.

Questões sobre autoestima continuam desafiando o pensamento psicológico, embora seja possível definir o que ela é e como difere de outras concepções semelhantes. Geralmente, autoestima é considerada como uma atitude relativa à própria pessoa, em alguma medida favorável ou desfavorável para o “eu”. Nesse sentido, é um referencial de avaliação do quanto valorizamos, aprovamos e gostamos de nós mesmos.

É importante diferenciar a autoestima das características de personalidade e demais estados autodirigidos. Por exemplo: autoestima não é auto percepção, não é auto respeito, tampouco é autoconfiança. A auto percepção refere à pergunta “quem sou eu”. Para responder essa pergunta precisamos conhecer nossas preferências, habilidades e pontos fracos, nossos pensamentos, hábitos e passatempos. Nesse contexto, a auto percepção corresponde à consciência de quem somos. O autorrespeito é similar à valorização pessoal inerente à autoestima, com um diferencial pequeno, embora significativo: enquanto a autoestima supõe avaliação do que pensamos, sentimos e acreditamos sobre nós mesmos, o autorrespeito é o reconhecimento mais amplo de que somos seres humanos valiosos e dignos de amor. A autoestima é diferente da autoconfiança porque não se limita a enfrentar desafios, resolver problemas e buscar sucesso no mundo. A autoconfiança tem relação com medidas externas de sucesso e valorização social, o que difere das medidas internas da autoestima. É possível ter autoconfiança elevada em determinadas áreas ou campos de experiência e faltar a agradável sensação do próprio valor ou da autoestima.

Autoestima é muito mais que um sentimento referente à qualidade de vida. É uma experiência constituída com elementos emocionais, avaliativos e cognitivos. O processo supõe disposição para agir em direção à consciência e não para longe dela, para tratar os fatos com respeito e não com negação, para atuar de modo auto responsável e não o contrário. O desenvolvimento da autoestima presume confiança na capacidade pessoal de aprender, de tomar decisões acertadas e de reagir adequadamente às mudanças. Autoestima supõe uma confiança fundamentada na realidade, construída ao longo do tempo por meio de operações apropriadas da mente. As dinâmicas básicas da autoestima valorizam o poder de viver de forma consciente e auto responsável. Nossas experiências de autoestima refletem a visão mais profunda que temos da própria competência e do valor pessoal. A importância dessa confiança na própria capacidade de realização é óbvia, como é evidente o risco de perder essa confiança inerente à autoestima. Autoestima é comparada a uma planta que precisa de água. Assim que começamos a regá-la, ela cresce e se espalha pela vida de maneira positiva.

Infelizmente, nada é mais comum do que o esforço em proteger a autoestima não com consciência, mas com negação e evasão. Nesses casos, falta confiança na eficácia da mente e na capacidade de pensar?


Palavras chave: autoestima baixa, voz interior negativa, diálogo interior.

*Marisa Moura Verdade é Mestra em Educação Ambiental, Doutora em Psicologia, especializada em Psico-Oncologia, pesquisadora do Laboratório de Psicologia Social da Religião do IP-USP.  Autora do livro Ecologia Mental da Morte. A troca simbólica da alma com a morte. (Editora Casa do Psicólogo & FAPESP). E-mail: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.


Os artigos aqui publicados não refletem a opinião da Escola de Contas do TCMSP e são de inteira responsabilidade dos seus autores.


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