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*Marisa Moura Verdade

O desenvolvimento da autoestima pressupõe uma mistura de fatores físicos e psicológicos atuantes na formação da personalidade. Alguns desses fatores são: a experiência de vida, a genética, a idade e a saúde, circunstâncias sociais e modos de pensar o eu-mesmo, o outro e o mundo em geral. 

Autoestima saudável é característica das pessoas satisfeitas com seu modo de ser e confiantes nos recursos individuais. A apreciação positiva da própria pessoa promove bem-estar para si mesmo e para aqueles que estão ao redor. Não é isso que acontece no caso da autoestima baixa. Essa experiência é profundamente dolorosa, marcada por sentimentos de inadequação, insegurança e dúvidas sobre o próprio valor. Tal condição psicológica pode se apresentar de diferentes maneiras. Nem sempre quem tem autoestima baixa se deprecia diante dos outros ou se mostra inseguro e ansioso. As incertezas e inadequações podem estar disfarçadas no temperamento difícil dos marrentos - indivíduos pedantes, voluntariosos, prepotentes, briguentos, teimosos ou conflituosos. Volta e meia, uma autoestima inadequada se esconde na insaciável busca de poder, na severidade das críticas ou nas constantes reclamações.

Autoestima baixa é problema psicológico difícil, principalmente porque afeta muita gente. Frequentemente, é associada à depressão, sobretudo quando há negativismo e insatisfação permanentes. Uma infância marcada por abandono, indiferença, falta de respeito e carinho das pessoas próximas influencia o modo de ser no futuro. Na vida adulta, a vulnerabilidade aumenta diante das negligências frequentes, das intimidações, dos preconceitos e da falta de reconhecimento. De modo geral, a autoestima fragiliza quando as condições existenciais geram sentimentos de inferioridade. Há um consenso a respeito da autodesvalorização: seu maior agente é interno e seu poder destrutivo são as palavras que ouvimos na mente.

Cada um de nós tem uma voz interna. Podemos ouví-la, apesar de não dizer as palavras em voz alta. Quando esse discurso interno é negativo, surge o risco de rebaixar a autoestima. Quem nunca se ouviu anulando a própria capacidade e competência? Quem nunca repercutiu julgamentos internos do tipo:  – “sou mesmo um fracasso”, "não sei fazer nada direito” ou  “não dou conta de desafios”.  Mensagens negativas costumam ser insistentes.  Dia a dia, a voz interior repete as ladainhas: “você não é capaz”, “não adianta tentar”, “já passou da idade” etc. A repetição mental de críticas e avaliações destrutivas deforma o modo de pensar sobre si mesmo. A insistência salienta fragilidades, frustrações, medos, inadequações. Essa negatividade deprecia o valor pessoal e machuca o amor próprio.  Felizmente, nossa autoestima é maleável e pode ser aperfeiçoada. Nesse sentido, autoestima baixa ou inadequada tem cura.  Esse processo não é fácil nem rápido, muito menos indolor. O primeiro passo é lembrar que toda autoestima é influenciada pela maneira de falar consigo mesmo. Sempre existe a possibilidade de conscientizar o que a voz interior fala do nosso jeito de ser e estar no mundo.

Uma avaliação realista de si mesmo  permite  reconhecer os pontos fracos da personalidade sem perder autoestima positiva e saudável.  Em vez de aceitar passivamente o discurso interior negativo, seus julgamentos, suas reclamações e percepções, é muito melhor  prestar atenção nos primeiros pensamentos que vêm à mente. Por exemplo: -  “Errei! Como sou burro!” Isso é negativo. Vale a pena contestar essa crítica, desenvolvendo uma conversa com a própria voz  interior. Que tal agradecer o feedback negativo e dizer a si mesmo algo assim: “ - Agradeço o feedback. Estou consciente de ter cometido um erro. Agora sei o que fiz errado e posso tentar novamente”.  Há várias maneiras francas e generosas de falar consigo mesmo. E é gratificante aprender a cultivar um diálogo interior aberto à  compreensão, ao incentivo e à reparação. Dedicar alguns minutos do dia  à voz interna  melhora a capacidade de conectar-se consigo mesmo e favorece a identificação de necessidades e desejos que pedem a nossa atenção.


Palavras-chave: autoestima, autoconhecimento, conscientização.

*Marisa Moura Verdade é Mestra em Educação Ambiental, Doutora em Psicologia, especializada em Psico-Oncologia, pesquisadora do Laboratório de Psicologia Social da Religião do IP-USP.  Autora do livro Ecologia Mental da Morte. A troca simbólica da alma com a morte. (Editora Casa do Psicólogo & FAPESP). E-mail: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.


Os artigos aqui publicados não refletem a opinião da Escola de Contas do TCMSP e são de inteira responsabilidade dos seus autores.

 

 


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