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Marisa Moura Verdade

As emoções exercem profunda influência na nossa vida. Interferem nos relacionamentos, nas escolhas profissionais e nas atividades do dia a dia.  Há muitas teorias referentes às emoções.

Na perspectiva psicológica, geralmente a emoção é considerada um estado subjetivo complexo, capaz de provocar mudanças físicas e psíquicas que afetam o pensamento e o comportamento. Invariavelmente, reconhecemos estados emocionais por sensações e movimentos que o corpo produz. Alguns exemplos são: rir sem parar, chorar, tremer, coração disparado, respiração presa, “frio na espinha”, “frio na barriga”, mãos geladas, dificuldade para falar, ficar “vermelho como um pimentão”.  Basicamente, tais estados são apreendidos como uma energia que percorre o corpo, originando mudanças fisiológicas e posturas de contração ou expansão. Na contração sentimos a tensão, na expansão o alívio e a calma.

A palavra emoção vem do Latim emotionem, que significa “movimento, comoção, ato de comover”. O termo latino sinaliza a natureza contagiante e poderosa dessa sensibilidade humana. Emoções não dependem tanto dos fatos, são acionadas principalmente pela interpretação dada aos acontecimentos. Um estudante está com raiva porque acredita que a nota baixa que recebeu na prova é uma injustiça da professora, um colega dele também foi mal na prova, porém sente culpa porque sabe que não estudou como deveria.  Outra característica importante das emoções é o tempo – elas têm princípio e fim. Basta lembrar que não existe surpresa que dure um dia inteiro, nem desgosto que dure apenas um minuto. Nossos gestos, expressões faciais e posturas refletem a circulação emocional. Os estados emocionais transmitem as relações estabelecidas com episódios, objetos, pessoas, situações, recordações ou pensamentos – todos têm causa e direção para objetos específicos. Um aspecto significativo das emoções é a polaridade: pode ser positiva como a alegria ou negativa como a amargura. Positividade e negatividade variam de intensidade:  às vezes estamos muito felizes, outras só um pouco felizes. Tal variação de intensidade marca o impacto de cada experiência emocional. A diferença na força da energia emocional permite discernir o receio do medo e o medo do terror, a raiva do mau humor e da fúria.  Emoções intensas deixam marcas na vida mental e sentimental.

Em si, a energia emocional é neutra, manifesta-se por meio das sensações e reações corporais que permitem a percepção de emoções específicas, positivas ou negativas. A fluência energética tem limites e tende ao esgotamento. No entanto,  a capacidade de regeneração permanece – o emocional é uma fonte de energia renovável. A maioria não tem habilidade para regular essa energia tão atuante na vida pessoal e social.  Muita gente teme a intensidade e os altos e baixos  emocionais, sentindo-se à merce dos seus efeitos dolorosos. Se nossas emoções têm o poder de nos empurrar para estados de confusão total, elas também ajudam a despertar a consciência para novas maneiras de ser e estar em relação a si mesmo, aos outros e ao meio ambiente. Ser vítima ou sentir-se mais forte que a emotividade depende de como trabalhamos com elas no dia a dia. Até as experiências emocionais mais neuróticas inspiram intuições e senso estético para as dores e incertezas da vida. Por isso, uma inteligência emocional é necessária. Ela desenvolve a capacidade da auto-observação, necessária para descobrir a energia que libera e a tensão que acumula. Pessoas dotadas de alta inteligência emocional sabem o que estão sentindo, o que suas emoções significam e como essas emoções podem afetar outras pessoas e o próprio estado de ânimo.

 


Marisa Moura Verdade é Mestra em Educação Ambiental, Doutora em Psicologia, especializada em Psico-Oncologia, pesquisadora do Laboratório de Psicologia Social da Religião do IP-USP. Autora do livro Ecologia Mental da Morte. A troca simbólica da alma com a morte. (Editora Casa do Psicólogo & FAPESP). E-mail: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.


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