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Assessoria de Imprensa, 03/10/2018

O auditório da Escola de Contas do Tribunal de Contas do Município de São Paulo (TCM) apresentou, na terça-feira (02/10), um seminário para discutir a importância do movimento estudantil dos franceses em 1968, que influenciaram a sociedade e a política em outros países, como o Brasil, que registrou naquele ano o golpe militar e instituição do AI-5. Participaram do debate o cineasta Silvio Tendler, a professora de filosofia da USP Silvana de Souza Ramos, o doutorando em filosofia também pela USP, Anderson Aparecido Lima da Silva, o jornalista e coordenador de Comunicação do TCM, Florestan Fernandes Jr, e o professor Silvio Gabriel Serrano Nunes.

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O conselheiro presidente do TCM, João Antonio, e o conselheiro Edson Simões foram os responsáveis por abrir o debate.

Também estiveram presentes na abertura do seminário o presidente do TCM, João Antonio, e o conselheiro Edson Simões. João Antonio agradeceu a presença dos debatedores e destacou a importância do encontro. “Um tema como este para o momento em que vivemos é adequado, diante de tudo o que está acontecendo no país”. O conselheiro Edson Simões, por sua vez, falou da influência de 1968 nas artes do Brasil. “Grandes nomes da música, como Chico Buarque, Baden Powell e Gilberto Gil; no cinema, Glauber Rocha e o nosso convidado Silvio Tendler; na educação, Milton Santos, todos esses ajudaram a fortalecer os protestos que aconteciam no país”, afirmou.

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Em seguida, foi exibido o documentário “Confissões de 1968”, da TV Brasil, com depoimentos de nomes importantes das artes no Brasil, como o diretor de teatro Zé Celso Martinez, e trechos da peça Roda Viva, dirigida por Chico Buarque, e que ajudaram a dar um cenário do que foi aquele ano para os brasileiros.

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A professora da USP, Silvana de Souza e o professor Silvio Gabriel Serrano Nunes também contribuíram para o debate sobre o movimento de maio de 1968

A professora Silvana de Souza Ramos teve a responsabilidade de abrir o debate, falando sobre a perspectiva de 1968 na democracia brasileira. Sua dissertação passou, sobretudo, pelo momento conturbado que vive a política do Brasil. “Vivemos um momento contrarrevolucionário, em que a maior parte da expressão forte da rebeldia está capitalizada por um imaginário conservador, que teme um excesso de liberdade e confunde com libertinagem”, disse ela. Ainda sobre o assunto, ela destacou os problemas que a volta de teses conservadoras pode trazer ao país. “O nosso tempo aponta que a ideia de rebeldia se expressa por um movimento de volta ao passado, à ordem e conservação de certos valores que se perderam, na cabeça de algumas pessoas”, disse Silvana.

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O professor Anderson Lima da Silva, Florestan Fernandes Jr e o cineasta Silvio Tendler falaram sobre os reflexos do movimento de 1968 no Brasil

Depois, foi a vez do cineasta Silvio Tendler contar suas experiências durante o movimento de 1968. Ele traçou um paralelo do que aconteceu no Brasil em comparação com a Tchecoslováquia e a Holanda. Tendler apontou uma visão diferente da que ele considera “midiática” sobre o período. “Sou simpático a ele, sobretudo à pluralidade dos movimentos. Na verdade, 1968 no Brasil começou em 1964, com a exclusão da vida pública de centenas de parlamentares; fechamento dos sindicatos e da União Nacional dos Estudantes (UNE); expulsou das forças armadas milhares de militares que queriam a democracia no Brasil”, afirmou. Tendler citou ainda o papel da imprensa diante do movimento de 68. “O papel de resistência dos jornalistas nesse processo foi importante, pois começaram a escrever contra o golpe e, junto com eles, os cineastas começam a fazer um cinema mais politizado, a música e o teatro viram de protesto e, ao chegar em 1968, temos um caldo de cultura bastante rebelde no país”, concluiu o cineasta.

Para encerrar, coube ao professor Anderson Aparecido Lima da Silva falar sobre o período de 1968 na França, uma vez que é um estudioso do tema. Segundo ele, foi um momento conturbado vivido em Paris, em que se contestava a sociedade burguesa, a burocracia, a separação entre o manual e o intelectual, a divisão entre os dirigentes e os trabalhadores. Anderson destacou a violência registrada durante o período, mas frisou pontos positivos em maio de 1968. “Houve uma gestão democrática nas ocupações de prédios e espaços públicos, além de universidades. Assim, foi possível multiplicar as assembleias, os panfletos, cartazes, grafites que foram disseminados pelas cidades e contribuíram para a importância do movimento”, disse. Ele acredita que todos esses materiais ofereceram a oportunidade de aumentar a pluralidade de vozes e de potência crítica para a cidade de Paris.

certificado

 

Ao final do debate, todos os integrantes da mesa receberam certificados de participação, quando o presidente do TCM elogiou as apresentações feitas pelos convidados e disse estar esperançoso com o fim da turbulência política vivida no país. 


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