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Assessoria de Imprensa, 08/09/2018

O “Trio Maria Fumaça” e o Prof. Dr. Ivan Vilela foram as atrações da série musical Concertos Didáticos, que aconteceu na quinta-feira (06/09) no lotado auditório da Escola de Contas do Tribunal de Contas do Município de São Paulo. Nesta segunda apresentação, a música de raiz foi a temática abordada pelos convidados.

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O jornalista Djair Galvão foi o responsável pela abertura do segundo dia de eventos, que contou com as presenças do secretário-geral do TCM, Ricardo Panato, e do conselheiro Maurício Faria. Na abertura, as musicistas do Trio Maria Fumaça apresentaram seu primeiro álbum, “No caminho de Goyazes”, em que mescla diversas composições de música caipira de várias épocas distintas. O grupo explicou a origem do nome do disco. “É um projeto nosso que nasceu da ideia de formar um caminho musical onde se enraizou a cultura caipira.”

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As “Marias”, formadas pelas cantoras Sarah Alencar, Priscila Ribeiro e Alice Oliveira, começaram a apresentação logo com dois clássicos da música caipira, “O Trenzinho Caipira”, de Villa Lobos e “Tristeza do Jeca”, imortalizada na voz da dupla Tonico e Tinoco. Depois, a congada foi apresentada ao público por meio da canção “Riacho de Areia”, que remeteu aos canoeiros do Vale do Jequitinhonha (MG).

O que levantou o público realmente foi a ‘miniaula’ que tiveram sob a batuta de Sarah da catira (ou cateretê), dança folclórica brasileira de origem indígena, em que o ritmo é marcado pela batida dos pés e das mãos, que ajudou a embalar a canção “Tudo Certo”, da dupla caipira Tião Carreiro e Pardinho.

Durante pouco mais de uma hora de apresentação, o trio interagiu com o público apresentando os instrumentos utilizados durante o espetáculo, contando histórias sobre o repertório de seu show, como em “Índia”, famosa nas vozes da dupla Cascatinha e Inhana, cantando uma versão em guarani, remetendo às raízes indígenas por intermédio da harpa paraguaia. Ritmo este que encerrou o espetáculo do trio, que emocionou a todos cantando “Galopeira”.

Na parte da tarde, quem cativou o público com sua apresentação foi o Prof. Dr. Ivan Vilela. Apresentando a história do caipira, sua música e a viola como instrumento fundamental para a continuidade da nossa história no Brasil, seu livro “Cantando a própria história” retrata esses elementos como registro da cultura popular brasileira e meio de afirmação da nossa identidade nacional.

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A construção do caipira, segundo ele, passa por um processo conhecido da história do Brasil, que foi a catequização dos índios pelo Pe. José de Anchieta, pelas origens do tupi guarani e como este personagem se encantou com a cultura indígena e utilizou artes como a música e o teatro para realizar isso, e aproveitou-se de duas danças típicas, que são o cateretê e o cururu.

Ivan desmitificou e fez uma crítica àqueles que veem de maneira errônea o modo de falar que é dito atualmente. “Isto foi a norma culta do Brasil nos primeiros 250 anos. Quando a gente se depara com alguém falando assim, estamos diante de um museu vivo de nossa história, que mantém as origens da nossa região”, brincou.

Durante esta trajetória deste caipira, Vilela aponta o tamanho da importância do saber erudito é fundamental, mas não tanto quanto o saber popular. “Viam neste personagem a possibilidade real de resgatar a cultura do linguajar. A gente entende que sua construção espalhou no esteio dos Bandeirantes, no século XIX. Então, grande parte da história da música popular brasileira foi narrada por essas pessoas simples, foi uma maneira que encontraram para fazer com que sua história persistisse”, afirma.

No final, dedicou cerca de 20 minutos para apresentar quatro músicas e mostrar diferentes maneiras de se tocar a viola de dez cordas. De início, a canção “Pra Matar a Saudade de Minas”, mostrou ao público a “ópera caipira”, inspirada no cateretê. Logo depois, homenageou o nordeste brasileiro com uma versão de “Asa Branca”, famosa na voz de Luiz Gonzaga. Em seguida, tocou “Viola Quebrada”, do escritor Mário de Andrade, a única canção (e moda de viola) composta pelo autor. E finalizou com o pagode caipira “Carreirando”, composto por Pereira da Viola em homenagem ao cantor Tião Carreiro.

A próxima apresentação dos “Concertos Didáticos” será no dia 21 de setembro (sexta-feira), em homenagem à música e tradições afro-brasileiras, que terá como convidado a Associação Cultural de Capuêra Angola Paraguassú. O espetáculo acontece ao 12h30, no auditório da Escola de Contas do TCM


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