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*José Eduardo W. de A. Cavalcanti

Se todos os esgotos sanitários e não sanitários de uma bacia hidrográfica fossem coletados e interceptados de forma a não alcançarem “in natura” os cursos de água haveria poluição hídrica?

Sim, muito provavelmente. A poluição hídrica se manifestaria, porém de uma outra forma como o resultado do carreamento das águas pluviais que ao escoarem pelas áreas impermeabilizadas da bacia se contaminariam devido ao arraste e dissolução de toda e qualquer sujidade que encontrassem pelo caminho em direção aos corpos d’água.

Esta é a chamada poluição difusa, cuja maior ou menor intensidade, está, em última análise, associada ao grau de educação sanitária da população.

O rio Pinheiros é um exemplo emblemático da poluição difusa, uma vez que ela é preponderante uma vez que advém praticamente de toda a bacia do Alto Tietê, e não somente da sua própria bacia, em virtude das regras operacionais do sistema Tietê Billings que prevê a introdução das águas do Tietê a montante da confluência com o Pinheiros em condições excepcionais por ocasião das grandes chuvas, justamente o grande agente indutor desta modalidade de poluição.

Como logicamente é difícil controlar a poluição difusa na fonte, somente possível mercê a um grande esforço focado principalmente na educação ambiental, a recuperação da qualidade das águas de rios contaminados a exemplo do que ocorre na Europa e nos Estados Unidos passa também por intervenções no próprio curso de água mediante a utilização de tecnologias que acelerem sua depuração natural. Logicamente, a ampliação da rede de esgotos incluindo coletores tronco e interceptores ao longo de toda a bacia é também fundamental.

No caso específico do canal Pinheiros, a CETESB em 2013, tomou essa iniciativa, através de um chamamento a empresas privadas em testar, em modelos reduzidos do canal Pinheiros, diferentes tecnologias que pudessem tratar as águas do próprio canal mediante a utilização de métodos avançados de tratamento e de produtos biológicos que acabaram por se revelar capazes de melhorar a qualidade da água do rio a ponto de ter criado condições para o seu potencial enquadramento na Classe 4 do Decreto 8468/76. (Veja artigo a respeito em https://institutodeengenharia.org.br/site/noticias/exibe/id_sessao/70/id_colunista/4/id_noticia/10721/O-projeto-de-requalifica%C3%A7%C3%A3o-do-Rio-Pinheiros).

Esta também será a tônica desta outra iniciativa do Governo do Estado através da EMAE em cooperação com a SABESP, de uma nova tentativa de recuperar as águas do Pinheiros porem segundo um maior grau de depuração de modo a permitir o bombeamento perene á represa Billings de forma a valorizar o espaço urbano, aumentar a oferta de água para fins de abastecimento e geração de energia.

Até o final deste ano estará concluída a modelagem técnica-econômica-operacional e jurídica-institucional de uma parceria pública-privada que propiciará à iniciativa privada investir de imediato nas tratativas de requalificação do rio Pinheiros aos fins propostos.

 

*José Eduardo W. de A. Cavalcanti , Engenheiro químico, é Diretor da Ambiental Laboratório e Equipamentos Ltda, Membro do Conselho Superior de Meio Ambiente da FIESP e do Conselho do Instituto Mauá de Tecnologia. É autor do livro Manual de Tratamento de Águas Resíduarias Industriais publicado pela CETESB e do livro Manual de Tratamento de Efluentes Industriais. Foi agraciado com o titulo de Personalidade do Ano – Ateneu Rotário em 2002, instituído pelo Rotary Clube de São Paulo, por sua atuação na preservação do meio ambiente.


Os artigos aqui publicados não refletem a opinião da Escola de Contas do TCMSP e são de inteira responsabilidade dos seus autores.


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