Estrela inativaEstrela inativaEstrela inativaEstrela inativaEstrela inativa
 

*Danilo André Fuster

A inflação é um fenômeno que reflete o aumento generalizado dos preços da economia, o que significa que todos os preços de bens e produtos de uma economia estão se elevando. Desta feita, cumpre analisar sobre os motivos que levam os preços da economia a elevar-se. A teoria clássica da inflação reconhece este fenômeno como uma disfunção entre a oferta e a demanda da moeda – teoria quantitativa da moeda.

Esta leitura é explicada por um fenômeno que afeta o valor do meio de troca da economia, ou seja, a moeda perde valor em relação ao seu poder de compra, o que significa que a mesma quantidade de moeda em um período não comprará a mesma cesta de bens e serviços após o período no qual foi desvalorizada.

De acordo com a teoria quantitativa da moeda a quantidade de moeda disponível na economia determinará seu valor, ou seja, o nível de preços da cesta de bens e serviços de uma economia depende da quantidade de moeda, uma vez que uma elevação da quantidade de moeda disponível na economia elevaria o nível de preços, dado a desvalorização da moeda.

Esta questão pode ser explicada pela lei da oferta e da demanda, onde uma quantidade de moeda determina uma determinada demanda por bens e serviços. A oferta destes bens e serviços estabelecerá um preço de equilíbrio no mercado de modo que não faltem produtos demandados ou não sobre produtos ofertados.

Para entender a lei da oferta e da demanda podemos pensar no caso de um vendedor de bonés raros que dispõe de duas ultimas peças. Admitindo que existam três pessoas interessadas em negociar os bonés, o vendedor deverá decidir quais dos três clientes efetuarão a compra dos bonés. Esta decisão pode ter como critério um sorteio, ordem de chegada ou quem pagará mais pelos bonés. Como vendedor visa a obtenção do lucro, ele deve optar por escolher vender a quem pagar mais pelos bonés.

Neste caso, supondo que o comprador (1) estivesse disposto a pagar 15 unidades monetárias para a aquisição do boné, o comprador (2) 10 u.m. e o comprador (3) 5 u.m., e que o vendedor tivesse estipulado o valor de 5 u.m. como preço do boné, cada um dos três compradores estariam em condições de adquiri-los. Todavia, na negociação, se o vendedor estipulasse o preço em 15 u.m. apenas um boné seria vendido, caso o preço estipulado fosse 10 u.m. os dois bonés seriam adquiridos e aquele comprador disposto a pagar apenas 5 u.m. pelo boné desistiria da negociação.

Desta forma a lei da oferta e demanda teria encontrado um ponto de equilíbrio econômico que permitiu que os negociadores saíssem satisfeitos com a negociação. Se, por outro lado o preço do boné permanecesse fixo em 5u.m. e os compradores 2 e 3 ou 1 e 3 tivessem adquirido o produto, os compradores 1 e 2 dispostos apagar um valor superior ao negociado poderiam negociar com o comprador 3 que por não se importar tanto com o produto além de não perder nada na negociação ainda obteria um lucro que variaria de acordo com o valor negociado, ao passo que o vendedor de bonés deixaria de ganhar este valor. Assim, a lei da oferta e da demanda pode ser explicada pela ilustração abaixo.

Como se observa, um aumento no preço causa um aumento na quantidade ofertada e uma diminuição na quantidade demandada, ou seja, no caso do vendedor de bonés, o preço de equilíbrio foi de 10 u.m monetárias, pois a este preço existiam dois compradores dispostos a adquirir seus dois produtos, se o valor estipulado fosse 15 u.m. apenas um produto seria ofertado e a demanda cairia para apenas um comprador disposto a pagar esta quantia. Caso o preço permanecesse em 5 u.m. haveria uma demanda superior à quantidade ofertada.

Desta forma, no caso da oferta e demanda por moeda, a quantidade de moeda utilizada para adquirir um produto ou uma cesta de bens e serviços variará de acordo com a quantidade de moeda disponível na economia. Um aumento na quantidade de moeda leva os agentes econômicos a demandarem mais bens e serviços, pois após adquirir sua cesta de bens e serviços ainda obterá moeda para efetuar mais trocas (aquisições de bens e serviços). Assim, um aumento de moeda aumenta a demanda por bens e serviços, fazendo com que o preço destes se eleve até o ponto de equilíbrio.

De acordo com Mankiw (2006), o economista David Hume observou, ainda no século XVIII, que a quantidade de moeda disponível não altera o nível de produção da economia, na verdade o que acontece é um aumento nominal no nível dos preços, ao passo que o nível real de produção não se altera, ou seja, o PIB permanece o mesmo pois a quantidade de bens e serviços produzidos na economia é o mesmo. Esta interpretação ficou conhecida como teoria da neutralidade monetária, em outras palavras a quantidade de moedas disponíveis na economia não altera o nível de produção. Então porque a inflação é tão perversa e temida?

O problema da inflação não é explicado pela teoria de Hume, pois ela apenas explica os efeitos da inflação no longo prazo. Na verdade no curto prazo, quando há uma quantidade maior de oferta na economia, dificilmente todos os agentes econômicos se apropriam desta elevação na quantidade de moeda, sendo que apenas alguns agentes econômicos se apropriam desta quantidade de moeda.

Assim, o maior consumo destes agentes aumenta a demanda por bens e serviços, que faz com que os preços se elevem até atingir o ponto de equilíbrio. Desta forma, com o aumento generalizado dos preços da economia, os agentes econômicos que não foram inicialmente contemplados por este aumento de moeda tem seu poder de compra diminuído, pois os preços se elevaram para atingir o ponto de equilíbrio mas, em geral, sua remuneração não acompanhou, no curto prazo, esta elevação de preços.

Com a perda de valor da moeda em seu poder os agentes econômicos sofrem uma restrição orçamentária, tendo de consumir menos, ou seja, despender uma maior quantidade de moeda para comprar o mesmo produto, ao passo que sua remuneração total não sofreu a mesma elevação que os preços. Assim, como consequências, os agentes econômicos tomam decisões econômicas equivocadas, diminuindo a eficiência dos mercados.

As empresas desconhecendo o real valor de suas mercadorias estipulam preços diferentes do preço de equilíbrio gerando distorções na contabilização de suas despesas, receitas e de seus lucros. E o governo por sua vez tem distorcido o valor real de seus capitais, de sua renda e da poupança nacional, gerando aumento na carga tributária e redução de ganhos de poupança.

Assim, depreende-se que a inflação distorce o equilíbrio econômico no curto prazo fazendo com que os agentes econômicos tomem decisões equivocadas diminuindo a eficiência econômica do mercado. Esta situação gera um clima de insegurança econômica fazendo com que as famílias deixem de consumir, e que as empresas posterguem investimentos. Não obstante os investimentos no país deixam de ser atrativos acarretando na fuga de capitais e na piora da credibilidade do país. Estes elementos geram um ciclo vicioso, pois as empresas reduzem suas operações e demitem aumentando a taxa de desemprego, que por sua vez diminui o consumo das famílias, gerando uma recessão econômica.

Como medida a esta situação o Governo pode adotar medidas restritivas de redução da demanda e do consumo diminuindo seus gastos e aumentando a taxa de juros que restringe o crédito. Desta feita, observa-se que embora no longo prazo a inflação não influencie na produtividade real da economia ela é prejudicial no curto prazo, sobretudo para as famílias de baixa renda que não têm seus rendimentos reajustados no mesmo ritmo dos preços perdendo seu poder de compra, isso quando não afetada pelo desemprego.

Uma particular leitura econômica também indica que as economias devem fazer um trade-off entre geração de emprego e aumento da inflação. Isso por que a geração de emprego aumenta o consumo das famílias em uma velocidade maior que resposta das empresas ao aumento da demanda, de modo que as empresas precisarão investir na ampliação da sua capacidade produtiva. Todavia, para muitos economistas uma determinada taxa de inflação é aceitável para a geração de empregos, de modo que esta relação seja equilibrada.

Palavras chave: Economia, Inflação, Mankiw, Oferta, Demanda, Moeda.

*Danilo André Fuster - Servidor público do município de São Paulo atuando como professor na Escola de Gestão e Contas Públicas Conselheiro Eurípedes Sales do Tribunal de Contas do Município de São Paulo, Bacharel em Gestão de Políticas Públicas pela EACH-USP e mestre em Gestão de Políticas e Organizações Públicas pela UNIFESP.

REFERÊNCIA

MANKIW, N. Gregory. Introdução à Economia. Brasil: Thomson, 2006
VARIAN, Hal R. Microeconomia: Princípios básicos. Rio de Janeiro: Elsevier, 2006


Os artigos aqui publicados não refletem a opinião da Escola de Contas do TCMSP e são de inteira responsabilidade dos seus autores.

 

 

 

 


Adicionar comentário

Código de segurança

Atualizar

Facebook


Twitter

 

Youtube