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*Mariana Uyeda Ogawa

No século XIX a extensão territorial brasileira era vasta e inexplorada. Nessa época o Brasil era essencialmente rural e, após a cultura da cana-de-açúcar, predominava a cultura cafeeira, principalmente na região sudeste. A mão de obra, até então, era composta por escravos negros. A partir de 1888 (Lei Áurea), os escravos foram libertados e houve a premente necessidade de obter mão de obra estrangeira.

Em Paris, no dia 05 de novembro de 1895, Brasil e Japão assinaram o Tratado da Amizade, Comércio e Navegação, no qual se comprometeram a desenvolver relações diplomáticas, inclusive com a previsão da vinda de imigrantes japoneses para o Brasil.

Dentre os motivos para o Japão estimular a emigração destacamos que, em 1868, iniciou-se o período Meiji - fase que o Japão abandonou o seu isolacionismo, aboliu a casta dos samurais e do governo dos xóguns (militar responsável pela administração e segurança do país), fortaleceu o seu aparato militar, acelerou a sua industrialização e restabeleceu relações com os países do ocidente. Parte da sociedade nipônica pressionava o governo para a modernização do Japão nos padrões ocidentais (industrialização e tecnologias avançadas). A economia que era baseada na agricultura gradativamente passou para industrial. Do campo houve migração para as cidades, causando o inchaço urbano, desemprego e escassez de alimentos. Diante disso, o governo empreendeu uma forte política de incentivo para a população acumular riquezas no estrangeiro. Os destinos eram desde a Austrália, Havaí, Coréia, México, Argentina, Paraguai, Chile, Peru e Brasil.

A data oficial da imigração japonesa para o Brasil é o dia 18 de junho de 1908. Nesse dia, após 52 dias de viagem, 781 pessoas desembarcaram do navio “Kasato Maru” no porto de Santos. Elas permaneceram por alguns dias na Hospedaria do Imigrante, atual Museu do Imigrante, na Capital, e depois seguiram para as fazendas de café do interior do estado de São Paulo (Ribeirão Preto, Sertãozinho, São Manuel, Indaiatuba e São Simão).

Passado algum tempo, muitos deles abandonaram as fazendas, seja por término do contrato de trabalho e, principalmente, pelas dificuldades da adaptação (comunicação, alimentação, cultural e árduo regime de trabalho com baixíssima remuneração). A maioria se sentia desiludida. A propaganda feita no Japão, principalmente pelas agências de recrutamento de emprego, era que aqui haveria um futuro promissor: os japoneses viriam para cá, se enriqueceriam em poucos anos e retornariam para o Japão. Alguns permaneceram nas fazendas de café, poucos conseguiram economizar recursos para adquirir pequenas áreas ou se tornaram arrendatários de pequenas glebas de terras no interior paulista ou em outros estados e plantaram arroz, algodão, soja, milho, feijão, etc. Outros foram trabalhar nas obras da Estrada de Ferro Sorocabana, nas fábricas ou se estabeleceram na Capital, principalmente na região da Sé (nas proximidades da Rua Conde de Sarzedas), e abriram bares, pensões, tinturarias, quitandas e barbearias.

A permanência no Brasil que era para ser transitória tornou-se permanente para a maioria dos imigrantes japoneses.  A eclosão da Segunda Guerra Mundial (1939-1945) e posterior derrota do Japão foram fatores que também impossibilitaram o retorno ao país de origem e contribuíram para debilitar as relações diplomáticas entre os dois países, que somente foram reatadas em 1952, com a assinatura do Tratado de Paz entre Brasil e Japão.

Até a Segunda Guerra Mundial aproximadamente 190.000 imigrantes japoneses chegaram ao Brasil, e 60.000 no período posterior. Atualmente, o Brasil é o país com a maior quantidade de japoneses e descendentes fora do Japão (mais de 1,5 milhão).

A influência do povo japonês no Brasil é sentida em vários setores, seja na agricultura, educação, jurídico, cultura, costumes, ciência, tecnologia, esportes, alimentação, etc. A presença do imigrante japonês contribuiu fortemente para a formação do povo brasileiro.

*Mariana Uyeda Ogawa - Graduada em Direito (USP). Mestre em Direito das Relações Sociais (PUC/SP). Especialista em Direito Contratual (PUC/SP) e em Gestão Pública (University of La Verne, CA). Professora da Escola de Contas do TCMSP.


Referência

História da Imigração. Disponível em: < http://www.imigracaojaponesa.com.br/?page_id=66>. Acesso em: 30/mai/2018.

Os imigrantes japoneses e suas famílias no Brasil. Disponível em: <http://www.cenb.org.br/articles/display_pt/207>. Acesso em 04/jun/2018.

O Nikkei no Brasil. Coord. Kiyoshi Harada. Ed. Atlas. 2008.


Os artigos aqui publicados não refletem a opinião da Escola de Contas do TCMSP e são de inteira responsabilidade dos seus autores.


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