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*Danilo André Fuster

O século XX foi marcado pelos golpes militares na América Latina. Isso se deve ao fato que durante a Guerra Fria, a América Latina foi alvo de disputa de influência entre os EUA e a União Soviética. Isso começou a mudar em meados dos anos 80, quando a democracia instalou-se nos países do subcontinente. Abaixo há um breve resumo dos golpes militares de 1959 até 1980:

Em 1959, Fidel Castro lidera a Revolução Cubana, derrubando o governo de Fulgêncio Bastista e instala-se no poder até 2008. Em El Salvador, o golpe militar se deu em 1960, quando José M. Lemos é destituído do poder e os militares ficam no poder. Já em 1962, o Juan Bosch é derrubado e o governo da República Dominicana é comandado por uma junta militar.

No Equador, o golpe ocorre em 1963 quando o presidente Carlos Julio Arosemena Monroy é derrubado e deportado por uma junta militar. No mesmo ano, houve outro golpe militar que destituiu o presidente da Guatemala, Miguel Ydigoras Fuentes, e colocou no poder Enrique Peralta Azurdia. Em 1963, Honduras teve um golpe a dez dias da eleição presidencial colocando no poder Oswaldo López Areliano. Em 1972, houveram eleições no qual Ramón Ernesto Cruz venceu, porém após alguns meses um novo governo militar é instaurado com a liderança de Oswaldo Lopes Areliano.

Já no Brasil, o regime ditatorial começa em 1964 quando o presidente João Goulart é derrubado num golpe liderado pelo chefe do Estado Maior do Exército, Humberto Castelo Branco. No mesmo ano, na Bolívia o presidente em exercício, Victor Paz Estenssoro, é destituído do poder pelo vice-presidente, comandante da Força Aérea e pelo general do Exército.

Já em 1965, uma rebelião é marcada na República Dominicana pois queriam acabar com o governo militar e restituir o presidente Juan Bosch. Os Estados Unidos então invadem a República Dominicana e marcam eleições para 66. No ano das novas eleições na República Dominicana também foi o ano do golpe militar na Argentina no qual quem assumiu o poder foi o Juan Carlos Ongania. Em 1976, houve outro golpe militar que destituiu o governo de Isabel Perón.

Houve uma pausa de três anos até que em 1969 Omar Torrijos lidera um golpe militar no Panamá. Em 1971, o governo socialista da Bolívia é derrubado por um violento golpe. No ano seguinte, foi a vez do Equador sofrer um golpe militar no qual enviou o presidente em exercício, José Maria Velasco Ibarra, para Buenos Aires.

No Chile, o golpe militar ocorreu em 1973 no qual o general Pinochet assumiu o poder e destituiu Salvador Allende. No caso do Uruguai foi um pouco diferente, pois o presidente em exercício, Juan Maria Bordaberry, foi convidado pelos militares a participar do golpe para não perder o poder. Então, de 1973 até 1976 Juan Maria governa por decreto no qual a Constituição foi suspensa.

Em Granada, a ditadura militar foi instaurada em 1979 por Maurice Rupert Bishop que aproveitou a ausência do presidente e se declarou primeiro ministro. No mesmo ano, o governo de El Salvador e Nicarágua também é destituído por um golpe militar.

Com esses exemplos de revoluções militares, pode-se perceber que os Estados Unidos da América apoiaram intervenções das Forças Armadas para que o avanço da União Soviética e os idealismos comunistas não se disseminassem em um subcontinente próximo.

O contexto que gera a união dos EUA com os regimes militares começa com a decadência da potência da Inglaterra surgindo no cenário os Estados Unidos da América como nova gestora da América Latina. Percebe-se que essa nova gestão desde 1823 no qual os EUA promulgam a Doutrina Monroe: "A América para os americanos".

Em 1961, o presidente John Kennedy dos EUA lançou o programa “Aliança para o Progresso”, que tinha o objetivo de promover a industrialização e políticas sociais na América Latino, fazendo com que diminuísse o sentimento de antiamericanismo e também evitar o surgimento de revoluções socialistas. A morte de Kennedy resultou no fracasso da política e surgiu uma nova estratégia para os mesmos objetivos da “Aliança para o progresso”: o apoio de golpes militares na América Latina.

Palavras chave: Regime Militar, Golpe Militar, Repressão, América Latina.

*Danilo André Fuster - Servidor público do município de São Paulo atuando como professor na Escola de Gestão e Contas Públicas Conselheiro Eurípedes Sales do Tribunal de Contas do Município de São Paulo, Bacharel em Gestão de Políticas Públicas pela EACH-USP e mestre em Gestão de Políticas e Organizações Públicas pela UNIFESP.


REFERÊNCIA

Ayerbe, Luís Fernando. Estados Unidos e América Latina. – São Paulo, SP: Editora UNESP, 2002.

Bandeira, Luiz Alberto Moniz. A formação do Império Americano: da guerra contra a Espanha à guerra no Iraque. – Rio de Janeiro, RJ: Civilização Brasileira, 2005.

Belatto, Luiz Fernando B. - América Latina: 100 anos de opressão e utopia revolucionária. São Paulo, Klepsidra: Revista virtual de historia, ISSN 1677-8944, Nº. 5, 2000-2001

Ferri, Omar. Sequestro no Cone Sul. O caso Lílian e Universino. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1981.
Galeano, Eduardo – As veias abertas da América Latina. São Paulo, Editora Paz e Terra, 1971
Gaspari, Elio. A Ditadura Envergonhada. - São Paulo, SP: Companhia das Letras, 2002.

Gaspari, Elio. A Ditadura Escancarada. - São Paulo, SP: Companhia das Letras, 2002.

Gaspari, Elio. A Ditadura Derrotada. - São Paulo, SP: Companhia das Letras, 2003.

Gaspari, Elio. A Ditadura Encurralada. - São Paulo, SP: Companhia das Letras, 2004.


Os artigos aqui publicados não refletem a opinião da Escola de Contas do TCMSP e são de inteira responsabilidade dos seus autores.


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