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*Danilo André Fuster

“Os serviços de inteligência dos Estados Unidos proporcionaram treinamento, material de apoio, informações e sistema de comunicações aos agentes da Operação Condor e disseminaram inteligência sobre sequestros e torturas, que eles executavam” (Bandeira, 369). 

A Operação Condor foi uma aliança entre os países dos regimes militares da América Latina: Brasil, Chile, Argentina, Bolívia, Uruguai e Paraguai. O objetivo da operação era de repreender aqueles que eram contra o governo vigente. O nome Condor era uma alusão a um pássaro típico do Chile no qual se caracteriza por ser sagaz na captura de suas presas.

Paredes, apresenta a Operação como uma polícia de luta contra o socialismo, para ele a junção de três processos estruturais que se retroalimentam foram fundamentais para sustentar o regime político que criou a Operação Condor: i) Estruturas sociais marcadas por alianças entre classes dominantes e elites nacionais, ii) o interesse dos Estados Unidos da América de “blindar” a região contra a União das Repúblicas Soviéticas Socialistas, e iii) a anuência, ou como o autor coloca: a conformidade dos governos locais (Paredes, 2004).

Segundo alguns historiadores, a operação teve três fases: a primeira fase foi caracterizada pelas informações trocadas entre os países participantes da operação, a segunda consistiu nas execuções e trocas de pessoas contrárias ao governo entre os países e a última fase foi marcada pela perseguição e, muitas vezes, pelo assassinato de opositores no exterior. Há dados, não comprovados, que estimam que o número de mortos foram de 50 mil, o de desaparecidos foram de 30 mil e os presos foram de 400 mil.

O Brasil participou ativamente das duas primeiras fases da operação, porém não há dados que provem que o Brasil tenha se envolvido em assassinatos fora da América Latina. A operação foi uma forma de reforçar os laços entre os países da operação. Tem-se como prova o caso “Sequestro dos Uruguaios”, no qual militares do Uruguai cruzaram a fronteira do Brasil, com o consentimento do país, para sequestrar em Porto Alegre o casal Universindo Rodríguez Díaz e Lílian Celiberti e seus filhos, Camilo e Francesca.

Porém, a operação foi um fracasso, pois jornalistas brasileiros, ao serem informados por um telefonema anônimo, direncionaram-se à residência do Sr. Universindo e foram confundidos pelo casal. A aparição dos  jornalistas fez com que a operação fosse delata à imprensa e se tornou um escândalo internacional e fez com que os governos do Uruguai e Brasil fossem expostos.

Conforme de Angelo cita em artigo para um sítio virtual, hoje em dia, uma das maiores controvérsias da Operação Condor é sobre a morte dos ex-presidentes Juscelino Kubitschek e João Goulart, e do ex-governador da Guanabara, Carlos Lacerda. Em 66, os três participaram da “Frente Ampla” que era um movimento contra os governos militares. Como eles participavam ativamente dos movimentos contrários às ditaduras, ainda há discussão se a morte deles, que faleceram num intervalo de menos de um ano, se a morte deles não está ligada à Operação Condor (Angelo, 2011).

O fim da Operação foi dado pelo enfraquecimento das razões que causaram seu início, ou seja, a contenção da Guerra Fria e o esgotamento do modelo econômico desenvolvimentista por parte comandado por governos autoritários.

Palavras chave: Regime Militar, EUA, Repressão, América Latina.

*Danilo André Fuster - Servidor público do município de São Paulo atuando como professor na Escola de Gestão e Contas Públicas Conselheiro Eurípedes Sales do Tribunal de Contas do Município de São Paulo, Bacharel em Gestão de Políticas Públicas pela EACH-USP e mestre em Gestão de Políticas e Organizações Públicas pela UNIFESP.

 

REFERÊNCIA

Angelo, Vitor Amorim. Operação Condor: Ditaduras se uniram para perseguir adversários – São Paulo, SP: Especial da Revista Pedagogia & Comunicação < http://educacao.uol.com.br/historia-brasil/operacao-condor-ditaduras-se-uniram-para-perseguir-adversarios.jhtm) acessado em: 06 de fevereiro de 2018.

Ayerbe, Luís Fernando. Estados Unidos e América Latina. – São Paulo, SP: Editora UNESP, 2002.

Bandeira, Luiz Alberto Moniz. A formação do Império Americano: da guerra contra a Espanha à guerra no Iraque. – Rio de Janeiro, RJ: Civilização Brasileira, 2005.

Belatto, Luiz Fernando B. - América Latina: 100 anos de opressão e utopia revolucionária. São Paulo, Klepsidra: Revista virtual de historia, ISSN 1677-8944, Nº. 5, 2000-2001

Ferri, Omar. Sequestro no Cone Sul. O caso Lílian e Universino. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1981.
Galeano, Eduardo – As veias abertas da América Latina. São Paulo, Editora Paz e Terra, 1971
PAREDES, Alejandro. La Operación Cóndor y la guerra fría. Universum. [online]. 2004, vol.19, no.1, p. 122-137.


 Os artigos aqui publicados não refletem a opinião da Escola de Contas do TCMSP e são de inteira responsabilidade dos seus autores.


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